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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma rabeca no palco

Há dois belos anos passados Uberlândia foi brindada com um show de Antônio Pecci Filho, mundialmente conhecido como Toquinho. Naquela ocasião, foi ele trazido à cidade pela Realiza Construtora, que lançava um condomínio horizontal. Agora, mais precisamente dia 1 de dezembro, a cidade novamente ganhou o espetáculo de volta, também promovido pela mesma empresa, que lançou um condomínio vertical.
Dois anos atrás escrevia eu que Toquinho estava às portas de completar 60 anos de idade e 40 de profissão, comparava-o a um vinho, que quanto mais velho melhor. E o fato ainda real, com o agravante de que ele quer atuar até aos 92 anos de idade, para só ai pensar em parar. Longevidade familiar é o que não lhe falta geneticamente. Mês passado “seu” Antônio se foi aos 94.
Mas também a exemplo daquele outro show o repertório foi o mesmo. Todavia um fato chamou a atenção especialmente daqueles mais atentos. Uma rabeca no palco, em duo com o violão espanhol de Toquinho.
Um ilustre desconhecido fez com que um garçom se aproximasse por debaixo da ribalta para convencer Toquinho a que convidasse o do arco a subir ao palco e com ele se apresentar.
Artista que é artista e não um ser inatingível, ou um ser supremo, mas tem sensibilidade suficiente para atender aos clamores de seu público, Toquinho não se fez de rogado, e não se fez de petulante, e não se fez de arrogante. Modestamente, convidou Tiago – não sei o sobrenome – para que subisse ao palco e empunhasse sua rabeca entre o queixo e o ombro e fizesse vibrar o arco por sobre as cordas. Demorou até que o jovem se enchesse de coragem e subisse.
Toquinho deu mostras de humildade e complacência, mesmo sem ensaio, e sem arranjo definido, acompanhou o rapaz em uma das mais tradicionais canções dele com o diplomata, Eu sei que vou te amar. Aplausos, não pelo violino do Tiago, mas para Toquinho, que ensinou muitos artistas como se portar.

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