O Português usado no Brasil não possui uma versão vulgar, ou seja, apenas falada, diferentemente daquela escrita. Desde que o Brasil é Brasil, o Português aqui utilizado só conhece uma versão, quer para a fala, quer para a escrita. Mas o atual Ministério da Educação entende que não, ao aprovar e mandar distribuir livro didático para jovens e adultos distribuído pelo MEC a 4.236 escolas do país, no qual falar é diferente de escrever, sob a alegação de que "a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma 'certa' de falar, a que parece com a escrita; e o de que a escrita é o espelho da fala".
Como se não bastasse ainda afirma que "essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos".
Um dos maiores utilizadores da linguagem vulgar em suas obras, João Rubinato (Adoniran Barbosa) dizia inclusive que “para falar errado é preciso saber”. Isso quer dizer conhecer, ter consciência do que se está fazendo. A grande maioria das letras de suas músicas é em um Português vulgar ou coloquial, mas com maestria e poesia, uma arte e não uma banalidade qualquer. É terrível para quem quer que seja ouvir alguém falar “nóis foi; nóis vai;...”
Falando à Folha de S. Paulo, o professor Enivaldo Bechara, um dos mais conceituados lingüistas do país, afirmou que "há uma confusão entre o que se espera da pesquisa de um cientista e a tarefa de um professor. Se o professor diz que o aluno pode continuar falando 'nós vai' porque isso não está errado, então esse é o pior tipo de pedagogia, a da mesmice cultural". Entende ele que "se um indivíduo vai para a escola, é porque busca ascensão social. E isso demanda da escola que lhe ensine novas formas de pensar, agir e falar".
Ainda para a Folha, o professor Pasquale Cipro Neto disse que "uma coisa é manifestar preconceito contra quem quer que seja por causa da expressão que ela usa. Mas isso não quer dizer que qualquer variedade da língua é adequada a qualquer situação."
Sem muita polêmica, então, concluo: Socorro, pois o Brasil, realmente, não está sendo um País sério!!!!