Os colegas jornalistas são
altamente interessantes, pois toda vez que o leite entorna, dão inicio imediato
à caça às bruxas, à cata de um culpado e se Cristo estivesse aqui entre nós,
indubitavelmente seria outra vez pregado na cruz, e responsabilizado pelo
nefasto acontecimento.
Isso já vimos em vários episódios
catastróficos pais afora, ou pais adentro, até mesmo em catástrofes
climatológicas. E ainda conseguem apoio e respaldo junto aos chamados
“causídicos”, que ávidos em faturar até mesmo a sucumbência que a causa possa
gerar, estão prontos a ajuizar uma ação penal cível-criminal qualquer contra
quem quer que seja.
O lamentável episódio vivenciado
no último domingo, 27, em Santa Maria, RS, em que 234 jovens perderam a vida, e
outros 121 estão hospitalizados, proporcionou aos coleguinhas jornalistas e aos
causídicos, deitar verborragia a torto e a direito, sobretudo na chamada grande
mídia, televisiva.
Nunca vi tanta falação sem se
levar a lugar algum.
Ontem, pela manhã, no Plim-plim,
o major BM Gerson Pereira, da unidade dos Bombeiros da Brigada Militar do Rio
Grande do Sul, em Santa Maria, quase foi pregado na cruz, como se fosse ele
próprio, e a instituição: Bombeiros, os responsáveis pelo ocorrido. O mesmo
ataque sofreu o prefeito Cézar Schimer. Ambos se dispuseram a atender prontamente
ao programa matinal levado ao ar, mas foram achincalhados literalmente. A preocupação maior dos “coleguinhas” é a de
saber sobre um tal alvará.
Onde já se viu, um pedaço de
papel escrito que se pode funcionar iria evitar a desgraça ocorrida. É mesmo estardalhaço
quando algum acidente de trânsito ocorre, a afirmativa que mais se ouve: a
carteira de habilitação está vencida. Como se o condutor nunca tivesse dirigido
na vida. Mas o maldito papel é o que importa. Certamente que evitaria o ocorrido
em Santa Maria, ou trará de volta ao lar e ao convívio de todos, aqueles
jovens.
As outras emissoras, desde
domingo, também não ficam atrás e não deixam a desejar em nada, no que diz
respeito a caçarem as bruxas.
Afinal de contas, desgraça,
jornalisticamente falando, vende, ou seja, tem audiência e consequentemente
aumentam o faturamento dos departamentos comerciais dos veículos de
comunicação. Por outro lado, a dor, imensurável, sentida pelas famílias das
vítimas, e a comoção que assola as pessoas de bem, a ponto de a própria
presidente da República, Dilma Rousseff, se desmanchar em prantos, ao falar
sobre o ocorrido, não serve de nada aos coleguinhas e muito menos aos chefes
dos coleguinhas.
Façam o favor! Vamos ter um pouco
mais de sensibilidade!