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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Santa Maria: Depois do leite entornado, vamos à caça às bruxas

Os colegas jornalistas são altamente interessantes, pois toda vez que o leite entorna, dão inicio imediato à caça às bruxas, à cata de um culpado e se Cristo estivesse aqui entre nós, indubitavelmente seria outra vez pregado na cruz, e responsabilizado pelo nefasto acontecimento. 
Isso já vimos em vários episódios catastróficos pais afora, ou pais adentro, até mesmo em catástrofes climatológicas. E ainda conseguem apoio e respaldo junto aos chamados “causídicos”, que ávidos em faturar até mesmo a sucumbência que a causa possa gerar, estão prontos a ajuizar uma ação penal cível-criminal qualquer contra quem quer que seja. 
O lamentável episódio vivenciado no último domingo, 27, em Santa Maria, RS, em que 234 jovens perderam a vida, e outros 121 estão hospitalizados, proporcionou aos coleguinhas jornalistas e aos causídicos, deitar verborragia a torto e a direito, sobretudo na chamada grande mídia, televisiva. 
Nunca vi tanta falação sem se levar a lugar algum. 
Ontem, pela manhã, no Plim-plim, o major BM Gerson Pereira, da unidade dos Bombeiros da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, em Santa Maria, quase foi pregado na cruz, como se fosse ele próprio, e a instituição: Bombeiros, os responsáveis pelo ocorrido. O mesmo ataque sofreu o prefeito Cézar Schimer. Ambos se dispuseram a atender prontamente ao programa matinal levado ao ar, mas foram achincalhados literalmente.  A preocupação maior dos “coleguinhas” é a de saber sobre um tal alvará. 
Onde já se viu, um pedaço de papel escrito que se pode funcionar iria evitar a desgraça ocorrida. É mesmo estardalhaço quando algum acidente de trânsito ocorre, a afirmativa que mais se ouve: a carteira de habilitação está vencida. Como se o condutor nunca tivesse dirigido na vida. Mas o maldito papel é o que importa. Certamente que evitaria o ocorrido em Santa Maria, ou trará de volta ao lar e ao convívio de todos, aqueles jovens. 
As outras emissoras, desde domingo, também não ficam atrás e não deixam a desejar em nada, no que diz respeito a caçarem as bruxas. 
Afinal de contas, desgraça, jornalisticamente falando, vende, ou seja, tem audiência e consequentemente aumentam o faturamento dos departamentos comerciais dos veículos de comunicação. Por outro lado, a dor, imensurável, sentida pelas famílias das vítimas, e a comoção que assola as pessoas de bem, a ponto de a própria presidente da República, Dilma Rousseff, se desmanchar em prantos, ao falar sobre o ocorrido, não serve de nada aos coleguinhas e muito menos aos chefes dos coleguinhas. 
Façam o favor! Vamos ter um pouco mais de sensibilidade!