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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Como vencer a pobreza e a desigualdade

Esse foi o tema apresentado pela Unesco para o seu concurso de Redação. Uma brasileira, estudante de Direito na UFRJ, Clarice Zeitel Vianna Silva, foi a vencedora. Em janeiro passado ela esteve em Paris, recebendo o prêmio.

O texto simples, com liguagem coloquial, sem rebuscamento, com frases perfeitamente coordenadas e subordinadas, retrata algo de especial, a realidade.

O texto, atualissimo, merece ser lido atentamente e refletido.

“PÁTRIA MADRASTA VIL

“Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. ..

Exagero de escassez… Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para Brasil.

Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.

O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.

Há quem diga que “dos filhos deste solo és mãe gentil”, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.

A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.

E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!

É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!

A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.

Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?

Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.

Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?

Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.

Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?

Sem qualquer outro comentário a acrescentar!

Não se iludam

O novo gabinete ministerial a partir de janeiro de 2011, com a posse da petista Dilma na presidência, terá indubitavelmente a presença de Fernando Pimentel. Além de economista e mestre em ciência política, é também professor.

Falam em Palocci, Paulo Bernardo, esse mais aquele e aquele outro pra ocupar a Casa Civil. Sobretudo a mídia paulista, que sequer cita o mineirinho.

Mas não se iludam, Pimentel deve mesmo ficar com a cadeira. Ainda mais agora que Lula defende a permanencia de Haddad na Educação.

Absurdo

Já começou. Ontem ao falar ao jornal da Band, a presidente eleita defendeu um marco regulatório para a midia, apesar de dizer que é a favor da liberade de imprensa.

Bolas e bolotas. Marco regulatório é a CONSTITUIÇÃO FEDERAL! e fim de conversa!

E vamos beber

Os cervejeiros da vida precisam saber: R$1,81 bilhão. Esse é lucro líquido da Ambev (Skol e Brahma) no 3º trimestre deste ano, nada menos do que um aumento de 47,5% em relação ao terceiro trimestre de 2009. Já nos 9 meses de 2010 o lucro líquido foi de R$497 bilhões, 18,6% a mais do que nos 9 meses iniciais de 2009.

Ah, mais um detalhe: 12% esse é o acrescimo nas vendas da cerveja pela Ambev entre julho e setembro deste ano.

Êta, coisa boa, né!