"Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afecto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger."
Habemus Papam, uma frase de efeito proclamada em alto e bom tom de uma sacada triunfal, na noite do último dia 13, chamou a atenção do Mundo. Afinal, era esperada, aguardada e midiaticamente proclamada tal desenvoltura. Isso, pois, desde o dia 11 de fevereiro não se falava em outra coisa, até mesmo a crise econômica pela qual passa o planeta, ou as conturbações na Ásia, ou qualquer escândalo local ou jogo de futebol chamou tanta atenção. Com a fala pelo cardeal francês Jean-Louis Tauran, decano dos cardeais diáconos, o mundo foi tomado pela euforia e esta hoje chega ao seu fim, ao menos teoricamente, com a entronização oficial do cardeal Jorge Mario Bergoglio no primado de Pedro. E com o fim da euforia a dualidade entre Santa Sé e Vaticano entra em vigor efetivo.
Deve o Mundo, e, sobretudo em especial o Católico Apostólico Romano, se conscientizar que essa dualidade é real, concreta e bem difere uma coisa de outra. Santa Sé é dirigida pela Santa Inquisição, hoje pomposa e charmosamente alcunhada de Sagrada Congregação Para a Doutrina da Fé. Vaticano é dirigido pela Secretaria de Estado.
Na Congregação temos o arcebispo alemão Gerhard Ludwig Müller e na Secretaria de Estado, o cardeal italiano Tarcisio Bertone. Ambos estavam desempregados desde o dia 28 de fevereiro, quando se efetivou a renúncia de Bento XVI. Todavia, segundo se noticiou, embora eu não tenha encontrado tal confirmação, ontem, Francisco, talvez num ato de misericórdia, teria confirmado a todos os ocupantes de cargos diretivos no Vaticano e na Santa Sé em seus postos, ao menos até que ele escolha a sua própria equipe, uma vez que os confirmados são oriundos da Corte de Bento XVI. Assim, o Mundo ainda vai aguardar algum tempo, cronológico telúrico ou não, para saber quem será quem no Vaticano e na Santa Sé.
Muitos hão de sentenciar que quem manda é Francisco. Uma teoria altamente interessante, afinal quem tem o báculo, o palio e o anel é ele. Mas a prática nos ensina que mesmo uma Monarquia Absolutista, como é o caso, não funciona exatamente desta forma. Purpurados hão de se digladiarem pelo inebriante poder. Forças serão medidas entre correntes diferentes, existentes há séculos e até mesmo milênio. Prova está no dito dossiê de centenas de páginas, com os “podres” reinantes nos últimos anos. Documento esse que até então, Francisco sequer mencionou.
Francisco, um “soldado de Cristo”, é sobretudo formado na vertente de que perinde ac cadaver, "disciplinado como um cadáver", tendo como grande princípio "Ad maiorem Dei gloriam" ("Para a maior glória de Deus"). Já deu mostras, todavia, dos Principios Franciscanos de Humildade, simplicidade e justiça. Humildade significa acolhida para escutar. Quem abre os sentidos para perceber o maior e o melhor não tem medo de obedecer e mostra lealdade a um grande projeto. Simplicidade é valor de quem sabe colocar tudo em comum, é a coragem da partilha. Justiça é transparência, castidade, verdade. É revelar o melhor de si.

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